segunda-feira, 23 de abril de 2012

Entrevista com Sheila Pinheiro


Entrevistada: Sheila Costa Vilhena Pinheiro
Função: Coordenadora geral da UAB de Biologia UFPA
Titulação: Doutoranda

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=E9701196

Licenciada em Ciências Biológicas (1993-1997/UFPA), Especialista em Ensino de Ciências (1999-2000/UEPA), Mestre em Educação em Ciências (2004-2006/IEMCI-UFPA e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (IEMCI-UFPA), possui experiência como professora da Educação Básica como professora de ciências para o ensino fundamental regular e de jovens e adultos, e na Educação Superior, atua como docente-pesquisadora na área de Formação de Professores, ministrando disciplinas em cursos de nível lato sensu da área de Educação e Educação em Ciências e atuando como Coordenadora de Tutoria do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas, modalidade a distância, da UFPA.
 Reúne experiências com planejamento e execução de processos de Seleção de Tutores, Cursos de Formação em Tutoria, desenvolvimento de materiais didáticos impressos e online para o ensino a distância, desenvolvimento de cursos via web no ambiente Moodle. É membro da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED). Atualmente professora efetiva do quadro da UFPA, Coordenadora geral da UAB de Biologia UFPA e doutoranda na área de educação.

A Entrevista


Alunos UFRA: “Fale um pouco sobre sua formação acadêmica e trajetória profissional. E há quanto tempo você exerce a profissão docente e quais instituições?”

Profa. Sheila: “Sou licenciada em Ciências biológicas pela UFPA, e quando conclui a licenciatura atuei por doze anos como professores da educação básica, em escolas da rede estadual e municipal, como concursada, quando neste período eu fiz especialização em ensino de ciências, por conta da minha área que é ciências biológicas.
Fiz mestrado em Educação em Ciências, sendo este concluído, retornei para as escolas estaduais e municipais e ingressei na ensino a distância UFPA no curso de Biologia a distância. Nesta na época fiz um curso pela UnB que era um curso onde os profissionais seriam selecionados para atuarem no curso a distância de Biologia e como eu tinha desenvolvido uma pesquisa de mestrado sobre a formação de professores a distância, o meu conhecimento e desempenho no curso que era todo on-line, favoreceu para que eu fosse chamada para atuar como coordenadora de tutores. [...] A partir disso, realizei minha pesquisa de mestrado sobre a formação de professores a distância, neste contexto, onde atuei no ano de 2006.
Atualmente, sou coordenadora do curso a distância Ciências Biológicas, ingressando em 2009 como professora efetiva do quadro da UFPA, concomitantemente sou doutoranda em Educação Científica e vice-diretora da faculdade de Ciências Biológicas. Além disso, no ano que ingressei no doutorado me desliguei das escolas de educação básica para ingressar como professora efetiva da UFPA.
  
Alunos UFRA: “Fale um pouco sobre suas dificuldades e facilidades como docente e o que foi decisivo para atuar nessa área utilizando essa modalidade de ensino?”.

Profa. Sheila: “Quando eu ingressei eu vim de uma formação que na verdade era um bacharelado, ou seja, a licenciatura era um bacharelado que formava para ensinar e não tínhamos uma identidade de formação como professores, éramos, na época, uma turma única mista de licenciandos e bacharelandos, sendo somente no final do curso, que se dividia a turma para o estágio no laboratório dos bacharelandos e os licenciandos, nas escolas, com as disciplinas pedagógicas.
Quando ingressei nas escolas, não tinha identidade profissional construída e nem iniciada pela carência de discussões e dimensionamento mais forte dentro da licenciatura em nosso curso. Neste tive dificuldades relacionadas às [...] necessidade de tentar resolver problemas de aprendizagem dos alunos e a minha fragilidade em conseguir isso, em compreender os problemas da escola, em entender determinados aspectos que achava importantes como. Exemplos disso, como o papel do professor no ensino, a necessidade dos alunos aprenderem de fato o que se ensinava e como ensinar para promover a aprendizagem. Coisas que povoavam a minha cabeça e me preocupavam, me impulsionando em busca de estudos, numa formação continuada. Tanto é que participava sempre de espaços de qualificação educacional nas escolas, já como professora [..].”

Alunos UFRA: “E neste caso a escola ajudava, ou existiram problemas com a escola ou professores na sua busca por estudo?”.

Profa. Sheila: “Ajudava a mobilizar em mim as preocupações que me fizeram ir em busca de estudo. São problemas comuns do ensino, trabalhávamos com trabalhar com conteúdo pra que ele fosse memorizado, e isto para mim era um problema, porque detínhamos um volume imenso de conteúdo que eu achava que nem tudo fazia sentido para os alunos, mas, ainda na tinha autonomia para dizer o que poderia ser melhor trabalhado. Quem não conhece não consegue ser autônomo [...].
Os professores da escola eram, no meu ponto de vista, muito individualistas [...], discutiam que o ensino tinha que ser interdisciplinar, que a escola tinha que estar preparada para as diferenças entre os alunos [...], discussões estas, que se ouvia na escola, mas apenas em momentos pontuais como semanas pedagógicas, depois voltavam à rotina”.

Alunos UFRA: “Como suas experiências na docência direcionaram seus projetos de pesquisa?”.

Profa. Sheila: “Como professora tenho preocupações relacionadas à profissão docente. Então, eu fui buscar abordagens de pesquisa que pudessem estar vinculadas a esta linha de pesquisa, que e a de formação de professores.
Hoje eu desenvolvo pesquisas na formação de professores na graduação que é a formação inicial e na formação de professores na continuidade da profissão, que é a formação continuada.
Investigo memórias docentes buscando encontrar nesta trajetória profissional respostas para as atitudes que os professores tem hoje e como esta história ela pode ser mobilizada para uma mudança educacional nas escolas.
 A minha trajetória profissional está situada no interesse em investigar o professor como um importante protagonista desse cenário educacional. Acredito que se não investimos no professor, dificilmente conseguiremos transformar a educação neste país. Valorizo muito a formação dos professores em todos os aspectos em minha pesquisa”.

Alunos UFRA: “Possui linha de pensamento teórico baseado em algum autor?”.

Profa Sheila: “Tenho referenciais teóricos que acompanham e fundamentam o nosso jeito de ver o mundo. Eu poderia citar o Paulo Freire, que é uma leitura nossa que é referência de vida e de profissão mesmo. O Boaventura de Souza Santos que traz Sociologia para iluminar a compreensão da Educação e da Ciência com a percepção que estamos vivendo a transição de um paradigma emergente, que é o paradigma da complexidade que quem vem discutindo é Edgar Moran. Estudo também, Edgar Moran para tentar me inspirar em compreender a complexidade da escola e da formação dos professores nesse âmbito no ensino de Ciências e Biologia. Além de autores da minha própria área como Ilié Pligogini, Vigostky, Piaget, etc”.
  
Alunos UFRA: “Qual sua visão sobre a inserção do computador na educação como ferramenta de apoio pedagógico?”.

Profa Sheila: “A expressão ‘ferramenta de apoio pedagógico’ diz tudo. Pois houve uma época que se dizia que o computador ensinava, mas o computador não ensina. Sou de uma época em que se dizia, com a chegada do computador na escola, iria acabar com a profissão docente. Quando não é verdade, o computador vem auxiliar, é uma ferramenta a mais, para dinamizar, trazer a tecnologia até nós, pra nos tornarmos mais próximos desta geração que é tecnológica. O professor precisa se apropriar do computador e de suas linguagens [...]. A tecnologia por si só não educa ninguém. É o professor que educa a partir dela [...]”.
  
Alunos UFRA: “Já Ouviu falar no licenciado em computação? O que você acha de disciplina de informática na educação básica, conhece algum autor nessa área?”

Profa Sheila: “Não. Eu acho que o profissional licenciado em computação tem que estar em toda dinâmica da escola não só com os alunos, mas também com os professores. Eu nunca ouvi falar num licenciado em computação. Eu estou até surpresa, já pensando aqui no que seria o licenciado em computação. Seria o professor que ensina a informática? Ou que ensina a lidar com a informática para o tratamento pedagógico do meu conteúdo, porque se for assim é um profissional que vai ter uma inteligência tal de me ajudar a perceber como no ensino de ciências e biologia, como posso tratar meu conteúdo para utilizar a tecnologia, juntamente. Alguém interdisciplinar que esteja 40 horas semanais na escola para ajudar aquela comunidade a construir projetos de tecnologias no ensino. É alguém que não vai estar numa sala de aula ou num laboratório preso com as turmas, mas alguém que vai circular na dinâmica da escola. Eu vejo assim”.

 Alunos UFRA: “Possui algum projeto que inclui a informática educativa na linha de estudo.
Algo que você gostaria de comentar?”

Profa Sheila: “O projeto que temos é via Moodle. Mas é uma interação muito problemática, em virtude da dificuldade da internet nos polos do interior. Temos dificuldades de intensificar a interação pelo Moodle em função desta dificuldade. Eu não tenho um projeto hoje, porque no momento eu estou em defesa de doutorado. Mas, nunca perco de vista isto, inclusive eu tenho uma proposta para trabalhar na UFPA com os professores. Entretanto, tenho minhas limitações neste sistema, conheço e trabalho no Moodle, mas tenho os pensamentos de uma professora de Biologia, mas eu não possuo o domínio vasto sobre a tecnologia. E o licenciado em computação viria a contribuir.”.

Alunos UFRA: “Agradecemos pela entrevista. Boa tarde”!

Profa Sheila: “Disponha. Boa tarde”!

Alex da Costa Pereira
Jorge Baima



Áudio da entrevista completa: http://www.4shared.com/mp3/EBj2w3YG/18042012000

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